Estiagem em RR: Capim-açu e moringa surgem como solução para rebanhos
Especialistas da UFRR apontam capim-açu e moringa como alternativas nutricionais para bovinos em Roraima durante a estiagem. Planejamento, estocagem de alimentos e manejo do estresse térmico são cruciais.

Com a chegada da estação seca em Roraima, produtores rurais já se preparam para os desafios nutricionais impostos pela escassez de chuvas. O manejo adequado do rebanho bovino durante a estiagem é fundamental para garantir a continuidade da produção, e especialistas da Universidade Federal de Roraima (UFRR) apontam soluções promissoras.
## Alternativas Nutricionais para o Período Seco
O zootecnista Jalison Lopes, do Centro de Ciências Agrárias (CCA) da UFRR, destaca o capim-açu como uma forrageira de alto valor proteico, capaz de suprir até 15% das necessidades nutricionais dos animais quando colhido no momento ideal, após 120 dias de crescimento. Essa planta se mostra uma aliada importante para a produção de silagem, um método de conservação de forragens que permite o armazenamento de alimento para os meses de escassez.
A moringa é outra alternativa em desenvolvimento no CCA. Suas folhas, com teor proteico que pode atingir até 30%, são vistas como um complemento dietético valioso. Lopes sugere que a moringa pode, inclusive, substituir o farelo de soja em parte da dieta dos bovinos, oferecendo uma opção mais acessível e com nutrientes essenciais.
## Planejamento e Estocagem de Alimentos
Além do cultivo de forrageiras específicas, o especialista enfatiza a importância da estocagem antecipada de alimentos. Feno, silagem e pré-secados são essenciais para garantir a alimentação dos animais quando as pastagens naturais se tornam insuficientes. O planejamento deve começar antes do período seco, permitindo a aquisição de insumos e a formulação de dietas balanceadas.
## Combate ao Estresse Térmico
A estiagem em Roraima também coincide com o aumento das temperaturas, o que gera estresse térmico nos animais. A oferta de sombra e água fresca torna-se crucial para mitigar os efeitos do calor excessivo. O estresse térmico não só reduz o consumo de alimento e compromete o ganho de peso, mas também aumenta a suscetibilidade do gado a doenças oportunistas, devido à elevação do hormônio cortisol.
## Manejo Sanitário e Redução do Plantel
Em relação ao calendário sanitário, Lopes recomenda o monitoramento constante das doenças endêmicas da região para definir as vacinações anuais. Em situações de forte escassez de pastagem, uma medida preventiva pode ser a redução estratégica do número de animais. Essa prática visa adequar a lotação à capacidade de oferta de alimento, evitando prejuízos com a perda de desempenho do rebanho.
O trabalho desenvolvido no CCA da UFRR também envolve a formação de estudantes, que participam ativamente do manejo do rebanho, da sanidade animal e de projetos de pesquisa, aproximando a academia da realidade do campo e formando futuros profissionais para o agronegócio.