Economia do Brasil Imperial cresceu 4x mais, aponta pesquisa da FGV
Pesquisa da FGV com base em 20 mil registros cariocas revela que a economia do Brasil Imperial cresceu 4 vezes mais do que se pensava, com taxa anual de 1,2% ao invés de 0,3%.

Uma nova pesquisa da Fundação Getulio Vargas (FGV) revela que a economia do Brasil Imperial cresceu, na verdade, quatro vezes mais do que as estimativas anteriores indicavam. Tradicionalmente, estudos apontavam um crescimento anual da renda per capita de apenas 0,3% entre 1850 e 1889. No entanto, o trabalho do professor Thales Zamberlan Pereira, da Escola de Economia de São Paulo da FGV, publicado na European Review of Economic History, demonstra que essa taxa foi de aproximadamente 1,2% ao ano no mesmo período.
## Nova Perspectiva Econômica
O estudo, intitulado "Inflation and Economic Growth in Imperial Brazil — 1824-1889", é fruto de uma minuciosa reconstrução de índices de preços, baseada em mais de 20 mil cotações mensais. Essa nova metodologia permite que a taxa de crescimento econômico do Império seja quadruplicada, alterando significativamente a posição do Brasil em comparações internacionais e alinhando as estatísticas com a rica literatura histórica e política do período. A prosperidade observada com a expansão cafeeira, o desenvolvimento de ferrovias e o crescimento urbano, que antes pareciam dissonantes com os números econômicos, agora encontram sua devida explicação.
## Fontes Históricas Cariocas Fundamentais
A pesquisa de Pereira tem um forte componente carioca, utilizando como base principal anúncios e cotações de jornais publicados na Corte Imperial. O "Diário do Rio de Janeiro", em sua fase original do século XIX, foi uma fonte crucial para as décadas de 1820 e 1830. Para os anos subsequentes, o "Jornal do Commercio" e outros periódicos foram essenciais para preencher lacunas, fornecendo um panorama econômico detalhado e inédito. Esses registros, que antes serviam a propósitos comerciais cotidianos, transformaram-se em documentos inestimáveis para a compreensão da economia imperial brasileira, permitindo uma análise mês a mês do período.
A utilização de fontes como o antigo "Diário da Manteiga", conhecido por sua acessibilidade e ampla circulação, e o "Jornal do Commercio", juntamente com registros da Santa Casa da Misericórdia e da Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitência, permitiu a reconstrução precisa de preços e a correção de interpretações históricas consolidadas. A pesquisa valida a percepção histórica de um período de desenvolvimento econômico mais robusto do que o quantificado anteriormente.