11ª Marcha das Mulheres Negras em SP homenageia Luana Barbosa
11ª Marcha das Mulheres Negras em SP homenageia Luana Barbosa, assassinada há 10 anos. Evento cobra justiça e destaca luta por direitos da população negra.

A 11ª Marcha das Mulheres Negras de São Paulo celebrou a luta por direitos e reparação, com um destaque especial para a memória de Luana Barbosa, mulher negra, lésbica e periférica assassinada brutalmente há uma década. O evento, realizado na Praça Roosevelt, na região central da capital paulista, reuniu centenas de pessoas, incluindo lideranças políticas, feministas, religiosas, artistas e representantes de movimentos da comunidade negra, além de participantes de cidades vizinhas e de diversos bairros paulistanos.
Juliana Gonçalves, cofundadora do evento, ressaltou que, mesmo dez anos após a morte de Luana Barbosa, o crime ainda não teve responsáveis presos ou condenados. Ela também mencionou casos recentes de violência contra mulheres negras e lésbicas em São Paulo, como os de Ieda e Fabiana, evidenciando a persistência da negligência estatal em relação à população negra. Gonçalves enfatizou que as mulheres negras reivindicam direitos e reparação, reconhecendo seu papel fundamental na economia e no trabalho de cuidado, muitas vezes não valorizado.
A marcha contou com apresentações culturais que celebraram a ancestralidade e a identidade negra. O coletivo Bando das Macuas apresentou uma performance inspirada no povo Macua de Moçambique, focando no corpo e em figuras ancestrais femininas. DJs animaram o público com rap e hip hop de protesto, enquanto mulheres negras ligadas a religiões de matriz africana compartilharam suas vivências. Ìyalóde Marisa de Oya destacou a contribuição das mulheres negras para a construção do país e a falta de segurança e representatividade no governo, apontando a discriminação baseada na cor da pele e na religião.
Lideranças da Rede de Mulheres Negras Evangélicas, ativa desde 2018, também marcaram presença. A Marcha das Mulheres Negras não se limitou a São Paulo; eventos similares ocorreram em outras capitais brasileiras, como em Salvador (BA) no mesmo dia e uma reunião em Recife (PE) na véspera, demonstrando a amplitude e a força do movimento em todo o país.
A manifestação serviu como um palco para discussões sobre reparação histórica, combate ao racismo e à violência de gênero, além de reafirmar a importância da união e da visibilidade das mulheres negras na sociedade brasileira. A ausência de justiça para Luana Barbosa e outras vítimas ressalta a urgência das pautas defendidas pelo movimento.